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domingo, 2 de setembro de 2018

Transexual natural de Açailândia ganha causa movida contra lanchonete em Brasilia.

Da infância passada na roça com os pais trabalhadores rurais e mais quatro irmãos, ela traz duas memórias marcantes: ser xingada e agredida física e verbalmente por ser negra e homossexual, e ouvir histórias de assassinatos brutais.
"Eu tinha uns 10 anos, estava na escola, quando ouvi que haviam matado um gay. Curiosos, fomos todos ver quem era. Não era apenas um gay. Era um travesti, vestido com roupas femininas e com o órgão genital mutilado enterrado na própria boca. Ali, ainda criança, senti o peso do tamanho da punição a quem ousasse sair da regra e aprendi a conviver com o medo de mim mesma e do que poderia me acontecer por ser quem eu era", relata.
"Eu nunca soube o que é ser homem. Desde criança, me sentia estranha em um corpo que não acompanhava os meus desejos femininos. Queria ser mãe, gostava de brincar de bonecas e adorava estar junto da minha mãe fazendo tudo o que ela fazia. A minha identidade sempre foi feminina", afirma.
Ao se assumir, ela enfrentou a ira do pai, a crítica dos irmãos e a insistência dos próprios colegas de trabalho para que mudasse de ideia e se voltasse para a religião evangélica. "Nunca entendi o que estavam me pedindo. Não me sentia estranha e nem me via pecadora."
Para ela, o episódio de transfobia que sofreu por parte dos funcionários da pastelaria e a busca por reparação na Justiça a fez entender pela primeira vez o que são direitos humanos. "Não sabia o que era um fórum, uma audiência ou reunião de conciliação, não fazia ideia de que poderia lutar pela minha dignidade humana sem estar sozinha", conta.
Hoje, reconciliada com seu pai, Natalha se dedica a projetos de educação contra o preconceito em uma ONG fundada por ela mesma.
"Existem pessoas de todos os gêneros, menosprezadas, mal amadas e se sentindo sem direito a viver neste mundo. Quero ajudar todas elas com a minha história. Prefiro olhar para a generosidade de todos que um dia, por ignorância, me machucaram, e que hoje, graças à educação, me respeitam. Não compensa ficar remoendo o que passou."
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